Uma doença de causa desconhecida atinge uma a cada mil pessoas no mundo, surge geralmente durante a adolescência, sem aviso prévio e sem que nenhuma medida de prevenção tenha se revelado eficaz até hoje. O ceratocone, uma doença não inflamatória degenerativa que provoca o afinamento da córnea, a camada mais externa do olho (junto com o cristalino, a córnea ajuda a focar a luz através da pupila para a retina). Esta estrutura adquire, então, um formato de cone.
O ceratocone surge geralmente entre os 15 e 25 anos de idade, pode progredir por até 15 anos. Ou seja, é normal até, aproximadamente os 40 anos, a doença continuar evoluindo. “A doença nasce com a pessoa e não apresenta nenhum sintoma enquanto bebê, por exemplo, mas está programada para se desenvolver“, afirma Rafael Canhestro Neves, médico oftalmologista do Centro Oftalmológico de Minas Gerais.
O afinamento da córnea pode evoluir de forma mais agressiva, levando o paciente a necessitar de um transplante em 20% a 30% dos casos. Isso acontece porque em algumas situações a córnea fica tão fina que pode até perfurar. Se nada for feito, este problema pode levar à cegueira completa.
Sintomas e diagnóstico
O sintoma mais comum do início do ceratocone é a perda progressiva da visão. “Este problema pode ser confundido com várias outras alterações no olho, como astigmatismo, por exemplo. É comum também o paciente apresentar muita coceira nos olhos”, explica o oftalmologista.
Qualquer sintoma estranho deve ser levado para o médico. O diagnóstico do ceratocone é feito através do exame de topografia corneana. “Nos estágios iniciais a doença pode ser corrigida com óculos. Depois passam a serem necessárias novas técnicas, como a lente corretiva dura ou o anel intracorneano”, afirma Neves.
Tratamento
“O uso de lentes de contato duras ajuda a regularizar a superfície da córnea e, com isso, melhora a visão. A lente de contato rígida pode ser incômoda, mas é uma boa opção para os casos onde os óculos não são mais capazes de fornecer boa visão.”, esclarece Neves. Outra forma de tratamento é o anel intracorneano ou anel de Ferrara. “Introduzimos dois segmentos de anel (semicírculos) em cada lado da córnea, e a esticamos”, continua. Nenhum desses tratamentos, porém, interrompe a evolução da doença, apenas ajudam a melhorar a visão.