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Coçar os olhos pode causar uma doença que leva à cegueira e poucos sabem disso

Silencioso e progressivo, o ceratocone atinge jovens e pode evoluir até a necessidade de transplante de córnea; Minas Gerais tem atualmente mais de 4.700 pessoas na fila de espera pelo procedimento

Uma condição ocular progressiva que começa com uma simples piora de óculos e pode avançar até comprometer permanentemente a visão vem sendo identificada cada vez mais cedo graças a tecnologias de rastreamento disponíveis em Belo Horizonte. O ceratocone, deformação gradual da córnea que a transforma de esférica em cônica, afeta predominantemente crianças mais velhas, adolescentes e adultos jovens, e tem forte associação com um hábito aparentemente inofensivo: coçar os olhos.

“O paciente começa a perceber um borramento visual progressivo, vai trocar o grau dos óculos e percebe que o grau muda toda vez, especialmente o astigmatismo”, explica o Dr. Bernardo Tom Back, coordenador do Departamento de Córnea da Rede Oftalmo. “Esse é o primeiro sinal de alerta. E está muito relacionado a pacientes alérgicos que coçam muito os olhos, o próprio ato de coçar potencializa o surgimento e a piora da doença.”

O diagnóstico precoce depende de uma consulta oftalmológica completa, com exames como a topografia computadorizada de córnea, capaz de mapear com precisão o perfil de curvatura e detectar alterações sutis antes que o paciente perceba qualquer prejuízo significativo na visão.

 

Do óculos ao transplante: um arsenal de tratamentos

Quando diagnosticado cedo, o ceratocone pode ser tratado com óculos bem prescritos e acompanhamento regular. Em estágios mais avançados, lentes de contato rígidas, implante de anel intracorneano e o crosslinking, procedimento que estabiliza a córnea e interrompe a progressão da doença, passam a integrar o plano terapêutico. Nos casos graves, o transplante de córnea, seja parcial (lamelar) ou total (penetrante), é a alternativa para reabilitar a visão.

“O crosslinking é o procedimento com maior eficácia para estabilizar o ceratocone. Quando bem indicado, ele congela a doença e impede que ela continue progredindo”, ressalta o Dr. Tom Back. “Por isso a detecção precoce é tão importante.”

 

Minas Gerais no centro da especialidade

Minas Gerais concentra uma das maiores filas de espera por transplante de córnea do país, pelo menos 4.724 pacientes aguardam o procedimento no estado, e é o segundo maior em volume de implantes de córnea no Brasil. Nesse contexto, a Rede Oftalmo se posiciona como o centro oftalmológico com maior número de transplantes realizados em Minas Gerais, com equipe especializada em todas as modalidades de tratamento, da topografia ao transplante.

Somente em 2025, as unidades da Rede realizaram 141 transplantes de córnea no estado, consolidando sua expertise em casos de alta complexidade.

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