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Transplante de Córnea em MG: a Rede Oftalmo na Assembleia

Representantes da instituição participaram de audiência pública na ALMG para debater os desafios e o caminho para ampliar o acesso ao transplante de córnea no estado

No dia 16 de abril de 2026, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais reuniu especialistas, gestores e representantes do setor de saúde para uma audiência pública sobre o cenário do transplante de córnea em Minas Gerais. O Centro Oftalmológico marcou presença com duas vozes que, juntas, traduzem décadas de compromisso com a oftalmologia mineira e brasileira.

O Dr. Jules Jesus Ayoub, presidente da Associação de Ensino e Pesquisa do Centro Oftalmológico, e o Dr. Gustavo Carlos Heringer, presidente do Conselho de Administração da Rede Oftalmo, estiveram na Comissão de Saúde da ALMG para apresentar o quadro atual, nomear os gargalos e propor caminhos concretos para que Minas Gerais ocupe o lugar que sua história e sua estrutura justificam nesse tema.

 

O quadro que motivou a audiência

Os dados são públicos e estão disponíveis no portal do Ministério da Saúde e na Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. Eles revelam um paradoxo que não pode ser ignorado.

Minas Gerais tem 4.666 pacientes na fila por um transplante de córnea; terceiro maior contingente do país. Em todo o Brasil, são 35.219 pessoas esperando, muitas delas há anos. Professores que não conseguem mais ler. Jovens com ceratocone que interrompem a faculdade. Trabalhadores que perderam a habilitação. Idosos que não reconhecem mais o rosto dos filhos.

O indicador que melhor traduz a realidade de cada estado não é o volume absoluto de procedimentos, mas a taxa de transplantes por milhão de habitantes, o parâmetro adotado internacionalmente e acompanhado pela ABTO. E é aqui que o paradoxo mineiro se torna mais evidente.

Minas Gerais registrou 48,9 transplantes por milhão de população em 2025. A média nacional é de 83,8. O Ceará, estado que lidera o país nesse indicador, opera com 151,6. Minas ocupa o 19º lugar entre os 25 estados que realizam o procedimento — apesar de ter a segunda maior força de trabalho habilitada para transplante de córnea do país, com 72 equipes treinadas.

Terceiro em volume absoluto. Décimo nono em eficiência relativa. Com a segunda maior capacidade instalada do Brasil.

Esse é o paradoxo que a audiência colocou na mesa — e que o Centro Oftalmológico ajudou a traduzir em proposta de ação.

 

O que o Dr. Jules Ayoub trouxe à discussão

O Dr. Jules Jesus Ayoub, presidente da Associação de Ensino e Pesquisa do Centro Oftalmológico, trouxe ao debate a perspectiva do médico que acompanha o paciente enquanto a fila não anda. E ele encerrou sua fala com uma afirmação que resume o espírito da audiência: Minas Gerais tem os profissionais, tem a estrutura, tem a história. O que precisa agora é da decisão política que organize e amplifique o que já existe.

Assista à fala completa do Dr. Jules Ayoub.

 

O que o Dr. Gustavo Heringer propôs à ALMG

O Dr. Gustavo Carlos Heringer, oftalmologista há mais de 30 anos, presidente do Conselho de Administração da Rede Oftalmo desde 2017 e integrante do corpo clínico do Centro Oftalmológico há 29 anos, fez uma exposição que foi além do diagnóstico. Ao plenário da Comissão de Saúde, ele apresentou três propostas concretas para que a ALMG lidere uma mudança real nesse cenário.

A primeira é a construção de um programa estadual de ampliação do transplante de córnea, com metas anuais por macrorregião, articulando SES-MG, CNCDO-MG, bancos de olhos e serviços credenciados. A segunda é mobilizar a bancada mineira no Congresso para avançar na revisão do financiamento federal do procedimento junto ao Ministério da Saúde. A terceira é fortalecer o protocolo de notificação nos hospitais do estado — com apoio técnico e incentivos concretos para as equipes notificadoras — pois aumentar a taxa de captação é a medida de maior impacto e menor custo disponível nesse sistema hoje.

A mensagem central foi direta: Minas Gerais tem história, tem estrutura e tem profissionais para sair do 19º lugar e liderar o transplante de córnea no Brasil. O que falta é a decisão política — e essa decisão pode começar na ALMG.

Assista à fala completa do Dr. Gustavo Heringer.

 

A audiência na íntegra

Para quem quiser acompanhar o debate completo, com todas as falas e os encaminhamentos propostos ao longo da audiência, disponibilizamos o vídeo integral do evento.

Assista à audiência completa.

 

O Centro Oftalmológico como parte da solução

Fundado em 1968, o Centro Oftalmológico de Minas Gerais chegou a essa audiência com quase seis décadas de atuação ininterrupta na oftalmologia mineira. Não foi à ALMG para apresentar conquistas — foi para nomear um problema real e se colocar como parceiro técnico na construção de uma solução que beneficia os pacientes mineiros.

A Rede Oftalmo, da qual o Centro faz parte ao lado do MG Olhos, realizou 141 transplantes de córnea em 2025. É um número que representa compromisso e competência instalada — e que a instituição reconhece como ponto de partida de uma trajetória que pode e deve ser muito maior.

Minas Gerais merece estar na vanguarda. E o Centro Oftalmológico estará presente em cada passo dessa construção.

 

Fontes: Ministério da Saúde e Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Dados atualizados em 06 de fevereiro de 2026.

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