Minas Gerais chegou a 4.802 pessoas na lista de espera por um transplante de córnea, segundo dados do Ministério da Saúde atualizados em 24 de setembro. O estado possui atualmente a terceira maior fila do Brasil, atrás apenas de São Paulo, com 8.603 pessoas, e Rio de Janeiro, com 5.634.
Ao mesmo tempo, Minas ocupa posição de destaque na realização dos procedimentos. Em 2026, 875 transplantes de córnea já foram realizados no estado, o terceiro maior volume do país, atrás de São Paulo (4.301) e Ceará (891). No Brasil, foram 12.794 transplantes no período, enquanto 37.847 pessoas permanecem na lista de espera.
O cenário evidencia um dos desafios do sistema de transplantes: mesmo com milhares de procedimentos realizados, a demanda permanece elevada. No caso da córnea, o transplante pode representar a recuperação significativa da visão em pacientes para os quais outros tratamentos já não são suficientes, com impacto direto sobre autonomia, mobilidade e qualidade de vida.
Para que uma córnea doada chegue ao paciente, porém, existe uma cadeia que envolve identificação do potencial doador, autorização familiar, captação, banco de tecidos oculares, avaliação e processamento da córnea, distribuição, equipe transplantadora e acompanhamento do paciente. A eficiência de cada uma dessas etapas influencia a capacidade de reduzir o tempo de espera.
Por isso, especialistas destacam que ampliar o acesso ao transplante exige não apenas capacidade cirúrgica, mas também fortalecimento da cultura de doação, eficiência na captação e processamento dos tecidos e integração entre os diferentes agentes do sistema.
Em setembro, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, a orientação ganha ainda mais relevância: manifestar à família o desejo de ser doador é um passo fundamental para que uma decisão tomada em vida possa se transformar, no futuro, na recuperação da visão de outras pessoas.